CD Zé da Guiomar

Posted on 30 jan 13 Sem categoria | Nenhum Comentário

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1) É Preciso Perdoar (Alcivando Luz / Carlos Coqueijo)

2) Maracatu Atômico (Jorge Mautner / Nelson Jacobina)

3) Agora Eu Sou Seu  (Viníção)

4) Samba de uma nota só (Tom Jobim / Newton Mendonça)

5) É Luxo Só (Ary Barroso / Luiz Peixoto)

6) Destino (Valdênio / Márcio Souza)

7) Incompatibilidade de Gênios (João Bosco / Aldir Blanc)

8) Samba do Avião (Tom Jobim)

9) Na cadência do Samba (Que bonito é) (Luiz Bandeira)

10) A Flor e o Espinho (Nelson Cavaquinho / Guilherme de Brito)

11) O Telefone Tocou Novamente (Jorge Bem Jor)

12) Ainda Mais (Eduardo Gudin / Paulinho da Viola)

13) Rua da Amargura (Valdênio / Márcio Souza / Cláudia Benitez)

O grupo diz logo a que veio na faixa de abertura, “É Preciso Perdoar”, que Caetano e Cesária Évora regravaram recentemente. Um arranjo fluente e manhoso, com boa trama de cordas elétricas e acústicas e cuíca funcionando como pontos e vírgulas, a versão conquista logo o ouvinte.

Recuperado na década passada como hino do manguebeat, o “Maracatu Atômico”, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, entra na roda como se samba fosse. Sem abordar o compositor maior com as luvas brancas que muitos costumam adotar, o ZÉ DA GUIOMAR põe Tom Jobim com uma versão pagodeira de “Samba de Uma Nota Só”, mesmo tratamento dado, mais adiante, ao “Samba do Avião” e ao standard , “É Luxo Só”, de Ary Barroso.

O material próprio começa a surgir na terceira faixa com “Agora Eu Sou Seu” do parceiro Vinição, com jeito de clássico de Cartola ou Paulinho da Viola, com vibrante arranjo de cordas criado por Juarez Moreira, e “Destino”, de Márcio Souza e Valdênio, também autores com Cláudia Benitez, do delicioso tema do filme “Rua da Amargura”, de Rafael Conde, que apresenta uma canja preciosa de Célio Balona no acordeom. Na duas, épicas e boas de cantar a pulmões plenos, influências de João Nogueira e Zé Keti.

“Incompatibilidade de Gênios”, a célebre crônica de João Bosco e Aldir Blanc, parece contada como história nova na versão do grupo, assim como “Na cadência do Samba”, o célebre tema do canal 100 usado e abusado pelos amigos e inimigos do esporte , com direito a sax de gafieira.

O lado mais, digamos, delicado do ZÉ DA GUIOMAR, aparece no final do disco, com “A Flor e o Espinho”, de Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha, e “Ainda Mais”, de Eduardo Gudin e Paulinho da Viola, relidas com respeito, mas sem perder o molejo.

Completa o cardápio “O Telefone Tocou Novamente”, de Jorge Ben Jor, com a interpretação que mais se aproxima dos grupos que andam repensando o samba, como Mundo Livre S/A e Pedro Luiz e A Parede.

Seja para ouvir com atenção às entrelinhas e brilhos ocultos, seja para servir de peça de resistência sonora de encontros animados e regados a líquidos e papos animadores, o CD do ZÉ DA GUIOMAR traz a simplicidade das idéias eficientes, e pode servir de parâmetro para artistas novos que pretendem reinventar a roda antes de garantir que ela esteja firme nos eixos, carregando a carruagem.

Kiko Ferreira

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