Samba Feiticeiro

Posted on 30 jan 13 Sem categoria | Nenhum Comentário

CDapp_sambafeiticeiro

Samba Feiticeiro:

1) Samba Resposta (Dú Marques / M. Paulista)

2) Fio de Esperança (Nelson Rufino/ Edil Pacheco)

3) Moça Morena Maria (Wilson da Neves / Edil Pacheco)

4) Inventor do Trabalho (Batatinha)

5) Santo Amaro é uma Flor (Edil Pacheco / Walmir Lima)

6) Tristeza (Seu Régis)

7) Samba Feiticeiro (Edil Pacheco / Paulo César Pinheiro)

8) Quebra-Mar (Walmir Lima / Pedrão)

9) Águas Passadas (Roque Ferreira / Alberto Fonseca)

10) Retrato da Bahia (Riachão)

11) Direito de Sambar (Batatinha)

12) Despedida (Walmir lima / Noca da Portela)

13) Você já foi à Bahia? (Dorival Caymmi)

.

A sedução do samba baiano pelos mineiros do Zé da Guiomar.

Samba, piada e madrugada só funcionam com pegada. A simplicidade é porta de entrada para uma boa roda de samba. E pegada e simplicidade são ingredientes essenciais na música do grupo ZÉ DA GUIOMAR, um dos responsáveis pela qualidade do samba que se faz nas noites de Belo Horizonte.

No ano em que completam doze anos de carreira, Valdênio, Márcio, Renato, Analu, Totove e Marcelo lançam seu terceiro disco, “Samba Feiticeiro”, demonstração explícita, em sintomáticas treze faixas, da afinidade da música que se faz em Minas e na Bahia.

Da raiz à antena, da tradição à modernidade, o ZÉ DA GUIOMAR traça um painel afetivo e sintomático do samba baiano, do mestre buda nagô Dorival Caymmi (“Você Já Foi à Bahia?”) ao jovem Dú Marques (“Samba Resposta”, com M. Paulista), sem esquecer nomes emblemáticos que qualquer especialista avaliza, como Batatinha (“Inventor do Trabalho”, “Direito de Sambar”), Riachão (“Retrato da Bahia”), Roque Ferreira (“Águas Passadas”), Edil Pacheco (“Santo Amaro É Uma Flor”, “Samba Feiticieiro”, “Moça Morena Maria”), Nelson Rufino (“Fio de Esperança”, com parceria do onipresente Edil) e Walmir Lima (“Despedida”, “Quebra Mar”)

Como bem lembra o músico Jaime Vignolli, produtor, arranjador e diretor musical do disco, no texto de apresentação, um samba de Noel Rosa já cantava: Todo santo dia nasce samba na Bahia. E o ZÉ DA GUIOMAR foi lá, in loco, aprender e conhecer o samba que a Bahia faz, além do monopólio de axé e música de trio elétrico e micareta.

Com participações especialíssimas de Pedro Miranda, Edil Pacheco, Wilson das Neves, Walmir Lima, Pereira da Viola, do trio Formosas (Babaya, Lu e Celinha), Jayme Vignolli e músicos convidados, “Samba Feiticeiro” vale por uma viagem de trem à Bahia do samba.

Confira a turnê, estação a estação:

1.”Samba Resposta” (Dú Marques e Marcus Paulista)

O jovem autor Dú Marques foi um dos guias que apresentaram os compositores ao grupo. Este samba já havia sido gravado pelo Sotaque Brasileiro, num disco de tiragem pequena, que praticamente não chegou ao sudeste.

“Gente nova no batente com sambista experiente (..)mantendo a tradição”, fala a letra, que resume bem o espírito do disco.

2. “Fio de Esperança” (Nelson Rufino e Edil Pacheco)

Edil Pacheco, além de compositor e cantor, é um criador de passarinhos. Numa das visitas diárias do Clube do Curió, na Boca do Rio, em Salvador, apresentou este tema inédito, que foi imediatamente incorporado ao projeto.

A saudade um amor que se foi é o tema deste samba classudo, fácil de aprender e sair cantando.

3. “Moça Morena Maria” (Wilson das Neves e Edil Pacheco)

Esta Edil mostrou no carro, batucando no painel. A musa Maria é uma morena de caminhar tão doce que a tristeza, vizinha, foi pra bem longe morar. Também inédita, com pomposo arranjo de Jayme Vignoli e impecável participação de Wilson das Neves.

4.”Inventor do Trabalho” (Batatinha)

Uma das muitas genialidades de batatinha, que aqui aparece como um Noel Rosa baiano, amaldiçoando o inventor do trabalho: “o trabalho dá trabalho demais”.

5. “Santo Amaro é uma Flor” (Edil Pacheco e Walmir Lima)

Dizem que todo este movimento de popularização do samba baiano, do Gera Samba para cá, teve origem no samba de roda do Recôncavo. Este é o único exemplar deste estilo tradicional da Bahia.

Com introdução campeã do mineiro Pereira da Viola, é convite imediato á dança. Quem ficar parado, bom sujeito não é.

6.”Tristeza” (Reginaldo Souza)

Seu Régis, como é conhecido o compositor Reginaldo Souza, tem uma barraca, Rumo do Vento, em Itapoã, onde todo dia tem roda de samba. Foi numa daquelas que ele apresentou dezenas de composições ao grupo, que escolheu “Tristeza” para entrar no disco.

Aqui o clima de festa se suaviza, com o trombone de Marcos Flávio pontuando um samba de espantar tristeza e abrir porta pra felicidade.

7.”Samba Feiticeiro” (Edil Pacheco e Paulo César Pinheiro)

Introdução gravada ao vivo no restaurante Boi Bom, onde o autor cantou, numa roda de samba. É outra inédita.

Clara Nunes seria candidata a intérprete deste samba que fala da sedução do samba.
A participação de Edil Pacheco é um diferencial que valoriza a gravação Zé da Guiomar.

8. “Quebra-Mar” (Walmir Lima e Pedrão)

Pedrão faz parte do Grupo Botequim, foi outro que fez as “honras da casa” para os mineiros em Salvador. Já registrou a música, num CD que, também, é pouco conhecido por aqui.

O octogenário Walmir Lima comparece e ajuda a dar clima de roda de samba.

“O samba merece respeito e o samba é religião”, diz a letra.

9.”Águas Passadas” (Roque Ferreira e Alberto Fonseca)

Música inédíta, feita há três décadas, que o letrista Alberto Fonseca apresentou ao grupo.

“Hoje eu só entro no jogo levando as cartas marcadas”, diz este samba clássico, que lembra o melhor de Nelson Cavquinho, Cartola e Paulinho da Viola.

10. “Retrato da Bahia” (Riachão)

Um clássico de Riachão, com Pedro Miranda na voz, cavaquinho de Jayme Vignli e 7 cordas de Rodrigo Torino, com o prato de Analu esquentando a percussão.

Retrato fiel da Bahia, segundo um dos maiores compositores brasileiros.

11. “Direito de Sambar” (Batatinha)

“É proibido sonhar, então me deixa o direito de sambar” diz este sucesso de Batatinha, de cantar com salão lotado, testando os pulmões.

Tudo é carnaval…

12. “Despedida” (Walmir Lima e Noca da Portela) Praticamente inédita, já foi registrada por Walmir.

A noite termina, chega a aurora, a hora de encarar a “realidade do viver”. O sol nasce lindo, sorrindo, e é hora despedir, depois do dever com a boemia cumprido.

13. “Você já Foi à Bahia ” (Dorival Caymmi)

Para fechar o disco com um clássico, o maior de todos os baianos, Dorival Caymmi, com os vocais das Formosas dando um toque brejeiro à leitura do Zé da Guiomar, reforçando as semelhanças do samba dos dois estados.

Kiko Ferreira março de 2012

Comments are closed.